Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

8 cientistas que morreram ou se feriram em nome da ciência

Alguns cientistas são tão empenhados na profissão que dão a vida pelas suas descobertas – ok, geralmente eles dão a vida sem querer. Confira a seguir 8 casos que foram importantes para a ciência, mas que, de um jeito ou de outro, tiveram um preço alto a se pagar.

8. Marie Curie – morreu por se expor demais à radiação

O oitavo lugar é bem conhecido, mas não é por isto que não merece ser citado. Em 1898, Marie e seu marido, Pierre, descobriram o elemento químico rádio e a partir daí a cientista decidiu passar o resto da vida pesquisando mais sobre a radiação e estudando a radioterapia.
O problema é que ela se expôs demais à radiação e isto fez com que ela desenvolvesse uma leucemia gravíssima. Marie morreu em 1934, mas entrou para a história: foi a primeira e única pessoa a receber dois prêmios Nobel de Ciência em dois campos diferentes, Química e Física.

7. Carl Scheele – morreu por causa do costume de provar as suas descobertas

Scheele foi um químico farmacêutico brilhante – descobriu elementos como molibdênio, tungstênio, magnésio, cloro e até oxigênio (ainda que Joseph Pristley tenha divulgado a descoberta primeiro), além de ter desenvolvido um processo parecido com a pasteurização. O problema de Scheele é que todo gênio tem um péssimo hábito e o dele era o de provar suas descobertas. Sim, colocar na boca e experimentar.
O cara chegou a experimentar até cianeto de hidrogênio, substância que, se misturada com água, vira ácido cianídrico. E saliva tem o quê? Pois é. Enfim, ele sobreviveu a essa loucura, mas a sorte não dura para sempre: ele morreu com sintomas de forte intoxicação por mercúrio.

6. Elizabeth Ascheim – morta por raio-X

Elizabeth Fleischman Ascheim casou com um médico, o Dr. Woolf, e ambos eram fascinados pela recente descoberta de Wilhelm Conrad Röntgen: a máquina de raio-X. Ela decidiu comprar uma (a primeira de São Francisco), largou o emprego de bibliotecária e começou a estudar esta ciência com afinco.
O problema é que eles sempre testavam a máquina neles mesmos e na época ninguém tinha muita noção das consequências da falta de proteção contra os raios. Resultado: ela morreu em 1905 de câncer, que se desenvolveu rapidamente e com muita força. Coitada!

5. Alexander Bogdanov – acabou se matando com transfusão de sangue

O russo Bogdanov era físico, filósofo, economista, escritor de ficção científica e revolucionário político, mas em 1924 ele resolveu fixar seus estudos em apenas um experimento: a transfusão de sangue feita em busca da eterna juventude (ele curtia ficção científica, né pessoal).
Após 11 transfusões ele declarou que sua calvície havia diminuído e que sua visão havia melhorado. O problema foi que a ciência da transfusão ainda era recente e ninguém pensava em testar o sangue antes de enfiá-lo veia adentro. Em 1928, Bogdanov fez uma transfusão com sangue infectado com malária e tuberculose e não resistiu, morrendo logo depois, com apenas 55 anos. Eterna juventude?

4. Robert Bunsen – ficou cego no laboratório

Qualquer um que prestou o mínimo de atenção nas aulas de laboratório vai lembrar que existe um objeto chamado “Bico de Bunsen” por lá e é deste mesmo Bunsen que estamos falando. O cientista alemão começou a carreira na química orgânica, mas quase morreu duas vezes por envenenamento – arsênico, pra variar. Mas ele não desistiu e continuou com suas experiências por um tempo.
Só que aí, Bunsen perdeu a visão de um olho. Ele acidentalmente causou uma explosão com cianeto de cacodilo e um caco de vidro voou em seu olho direito (não, cacodilo e caco de vidro não foi piada). E foi aí, meu amigo, que ele decidiu trabalhar com química inorgânica e ficou famoso. É, há males que vem para o bem.

3. Sir Humphry Davy – péssimo hábito de cheirar suas descobertas

Enquanto Carl Scheele tinha a mania de colocar as descobertas na boca, Humphrey Davy tinha mania de cheirá-las. Pois é, ele tinha o hábito de inalar os gases das suas experiências e por causa disso ele quase morreu várias vezes. Várias. Foram tantos envenenamentos e intoxicações acidentais que o corpo do homem pediu arrego – ele ficou inválido durante os últimos vintes anos de sua vida. Isto sem contar seus olhos, que ficaram com danos permanentes por conta de uma explosão com cloreto de hidrogênio.
E mais: como ele não podia enxergar direito, contratou um ajudante/aprendiz: Michael Faraday (sim, aquele Faraday que descobriu os campos elétricos e magnéticos e inspirou um personagem chato de Lost). Mesmo com o novo ajudante, a maré de azar continuou a pairar sobre Scheele. Houve uma outra explosão causada pelo mesmo motivo e os olhos de Faraday também nunca mais foram os mesmos.
No entanto, vamos combinar que pelo menos para alguma coisa essa mania doida serviu: foi Davy quem descobriu as propriedades anestésicas do óxido nitroso, vulgo “gás hilariante”.

2. Galileu Galilei – mais outro que se cegou

O trabalho de Galileu é exaltado em todos os lugares. O físico, astrônomo, filósofo e matemático foi muito importante para a revolução científica e várias de suas descobertas aconteceram com a ajuda do telescópio refrator que ele mesmo aperfeiçoou. O problema é que de tanto olhar pelo telescópio ele acabou arruinando a própria visão – ou melhor, de tanto olhar para o Sol usando o telescópio sem proteção alguma. Suas retinas não aguentaram o tranco e muitos acreditam que foi por isto que ele ficou praticamente cego nos últimos anos de sua vida.

1. Louis Slotin – morreu por fissão nuclear acidental

O canadense Louis Slotin trabalhou no famoso Projeto Manhattan, aquele que criou as primeiras armas nucleares dos Estados Unidos. Acontece que durante os experimentos ele acidentalmente deixou cair uma esfera de berílio envolta em plutônio em uma outra igual, causando uma reação imediata. Cientistas que estavam por perto viram um brilho azul diferente e sentiram uma onda de calor. Slotin saiu correndo da sala passando mal e foi levado ao hospital às pressas. O episódio inspirou a criação do personagem Dr. Manhattan, da HQ Watchmen. A diferença é que, na história, o cientista adquiriu habilidades especiais e ficou permanentemente azul. Na vida real, o pesquisador morreu.
O cientista foi exposto a uma quantidade de radiação absurda – calcula-se que era como se ele estivesse a menos de 1,5km de distância da explosão da bomba atômica. Foi a partir daí que o laboratório de Los Alamos passou a ter medidas de seguranças bem sérias e a manipulação de tais substâncias passou a ser feita apenas por máquinas, garantindo uma distância respeitável dos cientistas.

*Bônus*

Hoje temos DUAS participações especiais na nossa listinha:

- Benjamin Franklin – poderia ter sido o pai da cadeira elétrica

Benjamin Franklin estava tentando eletrocutar um peru quando, sem querer, acabou soltando uma grande descarga elétrica em si mesmo. “O raio foi enorme e fez um barulho tão alto quanto o de uma pistola”, descreveu o cientista. “Foi um experimento de eletricidade que eu desejo que nunca mais se repita!”. Eis um caso em que o cientista se machucou, percebeu o potencial e avisou do seus males na tentativa de fazer um bem à humanidade – mas a humanidade não levou a opinião do cientista a sério e pronto, surgiu a cadeira elétrica.

- Albert Hoffman – descobriu os efeitos do ácido lisérgico… e não se machucou nem um pouco

Em 1943 o cientista suíço Albert Hoffman estava trabalhando no isolamento de princípios ativos presentes em um fungo, pesquisando uma substância que impedisse o sangramento excessivo após o parto. Ele estava analisando o ácido lisérgico quando a substância foi acidentalmente absorvida pela pele e ele precisou parar tudo o que estava fazendo – “senti tontura, distorções visuais… um desejo de rir”, contou Hoffman. E foi aí que a era do LSD começou.
Foi uma descoberta que, ao contrário das outras, não trouxe mal algum ao cara. Hoffman viveu até os 102 anos muito lúcido e morreu de ataque cardíaco!

Fontes: http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/8-cientistas-que-morreram-ou-se-feriram-em-nome-da-ciencia/

Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

Filosofighters

Foram convocados 9 filósofos para uma batalha de ideias.
Chegou a hora do combate. Você está pronto para a "porrada"?
Clique na imagem e jogue!!!

Fortifique o cérebro!

Ler e andar são boas soluções

Para além da química, há hábitos salutares que tonificam a musculatura do nosso cérebro. A leitura e a prática de exercício físico, sobretudo, já demonstraram a sua eficácia.

A plasticidade do cérebro continua a surpreender-nos, muito embora Santiago Ramón y Cajal, considerado o pai da neurologia moderna, já o tivesse afirmado há um século: os neurónios podem trocar de ligações entre si, pelo que convém exercitá-los. Se moldamos com a experiência o órgão pensante, até que ponto será possível melhorá-lo? Podemos fazer algo para evitar que as doenças de Parkinson ou de Alzheimer nos esvaziem a mente quando formos idosos ou, pelo menos, para retardar o seu aparecimento? Uma montanha de ideias e soluções rodeia a tão propagandeada ginástica cerebral. Sim, ninguém tem dúvidas sobre a necessidade de exercitar a massa cinzenta. O problema é saber como.
A revista Nature fez eco de um estudo que demonstrava a ineficácia dos videojogos cujos anúncios mostram adultos muito felizes quando conseguem “distinguir maçãs de pêras” num ecrã. A fim de comprová-lo, 11.430 voluntários entre os 18 e os 60 anos tiveram de se entreter com um dos referidos programas; embora a pontuação que obtinham fosse cada vez melhor (como seria de esperar quando se apanha o jeito de matar marcianos), os resultados não se reflectiam nos testes que avaliavam de modo científico a memória, o raciocínio e a aprendizagem. “Não houve absolutamente nenhum efeito de transferência”, esclareceu um dos autores da investigação, o neurocientista Adrian Owen, da Universidade de Cambridge (Inglaterra).
Será que isso significa que a ginástica mental é inútil? De modo algum: Cajal tinha razão. O cérebro opera em função das ligações que estabelece entre os neurónios. É aquilo que nos faz ser como somos. Nesse caso, o que falha? A carga intelectual de um videojogo, ou de um documentário, é bastante menor do que a proporcionada por um livro. Foram feitas experiências para observar o que acontece quando se lê: o cérebro recria paisagens e emoções, e são activadas áreas cerebrais relacionadas com a informação que se está a obter. Em contrapartida, quando vemos algo num ecrã, a única coisa que se “acende” é a zona visual.

Preto no branco

Primeira lição: quer manter o cérebro em forma? Pois arranje um bom livro e mergulhe nas suas páginas; ou então uma revista com histórias surpreendentes que estimulem a sua curiosidade e imaginação, como a que tem agora entre as mãos. Pode também deixar momentaneamente de lado a máquina de calcular e fazer algumas contas; ou tentar aprender outra língua, ou a tocar um instrumento musical. O cérebro agradece os desafios e, numa época ultratecnológica, o leitor não tem necessariamente de envergar um traje virtual e ser protagonista de Tron para pô-lo à prova.
Além disso, não se instale no sofá. Correr um pouco não mata. Passeie ou frequente aulas de dança. Compre uma bola de fitness e faça ginástica. As experiências efectuadas com pacientes e, sobretudo, em animais que foram submetidos a exercício físico moderado mostram claramente um aumento do respectivo rendimento cerebral. O exercício muda a face dos nossos neurónios: os vínculos aumentam e tornam-se mais ricos. Cresce o número de espinhas dendríticas, as protuberâncias em forma de fungo que surgem no tronco (axónio) do neurónio e estimulam a formação das sinapses, as mágicas ligações nervosas.
Não sabemos muito bem como se processa todo este milagre em termos moleculares, mas o certo é que acontece. Art Kramer, investigador da Universidade do Illinois em Urbana-Champaign (Estados Unidos), está convencido de que caminhar cerca de 45 minutos, três vezes por semana, aumenta em 20 por cento a capacidade de armazenamento de memórias episódicas e optimiza as funções cerebrais, segundo afirmou à revista Newsweek. Um ano de exercício físico faz maravilhas, revelam as experiências. Assim, um indivíduo de 70 anos poderia alcançar a conectividade neuronal de alguém na casa dos 30, com os consequentes progressos na planificação de tarefas, na faculdade de fazer várias coisas em simultâneo, etc. Ora todos sabemos que, com a passagem do tempo, perdemos essas valiosas ligações entre células nervosas.

Espelho social

Noutra investigação, ressonâncias magnéticas revelaram que crianças de nove e dez anos, em boa forma física, têm um hipocampo até 12% maior. A consequência é que obtêm melhores notas nos testes de memória; pelos vistos, são mais eficientes a utilizar o oxigénio.
O cérebro é um órgão tão extraordinário que chega a reflectir o nível social dos indivíduos. A qualidade do desenvolvimento mental numa criança criada no seio de uma família com um estatuto socioeconómico elevado é melhor e mais adequada, o que coloca em questão a igualdade de oportunidades. Crescer num bairro social implica receber menos estímulos intelectuais, o que influencia o desenvolvimento cognitivo. Além disso, esses meios são propensos a provocar stress, uma alteração que estimula a produção da hormona cortisol. Quando produzida em excesso, esta substância ataca as bainhas protectoras da mielina nos neurónios e dificulta a criação de novas ligações.
Sem cair no cliché discriminatório de que as crianças pobres são menos inteligentes, os estudos confirmam, porém, a importância decisiva do ambiente. Algumas estatísticas indicam mesmo que a probabilidade de ser vítima da doença de Alzheimer é dez vezes menor entre os cientistas e indivíduos com habilitações universitários do que entre o resto da população. Devemos aproveitar o que a neurociência nos indica para desenvolver planos de estudo. Por exemplo, sabe-se que o cérebro desliga após 40 minutos de conversa e começa a pensar noutra coisa. Ignoramos o motivo. É possível que os bons professores o tenham percebido, sem o saberem, pelo que mudam de tema passado esse tempo. Aprendemos através da repetição, necessitamos de um tempo de repouso e, também, de actividade. Se se conhecer bem a biologia do sistema, será possível tirar muito mais proveito dele. Exercite-se!

L.M.A.
SUPER 156 - Abril 2011

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

Conjugador de Verbos

Siga este link:

http://www.linguistica.insite.com.br/cgi-bin/conjugue

Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

Reintrodução do Exame Nacional de Filosofia

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA
E ENSINO SUPERIOR
Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior

Deliberação n.º 1085/2011

Considerando o disposto no Decreto -Lei n.º 296 -A/98, de 25 de Setembro, alterado pelos Decretos -Leis n.os 99/99, de 30 de Março, 26/2003, de 7 de Fevereiro, 76/2004, de 27 de Março, 158/2004, de 30 de Junho, 147 -A/2006, de 31 de Julho, 40/2007, de 20 de Fevereiro e 45/2007, de 23 de Fevereiro, 90/2008, de 30 de Maio, e rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 32 -C/2008, de 16 de Junho, nomeadamente na alínea b) do seu artigo 19.º;

Tendo em conta o disposto no Decreto -Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto -Lei n.º 50/2011, de 8 de Abril, nomeadamente na alínea c) do n.º 4 do seu artigo 11.º;

Considerando o disposto no artigo 1.º da Deliberação n.º 384/99,de 30 de Junho, da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior; A Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior delibera o seguinte:

1.º Prova de ingresso de Filosofia
1 — Nos termos do disposto no n.º 4 do artigo 11.º do Decreto--Lei n.º 74/2004, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto -Lei n.º 50/2011, a avaliação sumativa externa dos alunos dos cursos científico -humanísticos do ensino secundário volta a incluir a disciplina de Filosofia da componente de formação geral, de acordo com a opção do aluno, pelo que tal disciplina volta a ser objecto de exame nacional do ensino secundário, no final do 11.º ano de escolaridade.

2 — Tendo em conta as disposições legais referidas no número anterior, a disciplina de Filosofia volta a poder constituir -se como prova de ingresso, nos termos do previsto no artigo 19.º do Decreto -Lei n.º 296 -A/98, de 25 de Setembro, pelo que o elenco de provas de ingresso a considerar, a partir da candidatura à matrícula e inscrição no ensino superior no ano lectivo de 2013 -2014, é o constante do anexo I da presente deliberação.


2.º Alterações de elencos de provas de ingresso decorrentes da aplicação do disposto no artigo 1.º

1 — Para os cursos de ensino superior que já se encontram em funcionamento, podem as instituições de ensino superior apresentar à Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, até ao dia 6 de Maio de 2011, propostas de alteração dos respectivos elencos de provas de ingresso, com vista à inclusão da prova de ingresso de Filosofia;
2 — As alterações propostas nos termos do número anterior podem assumir dois propósitos distintos:

a) Adição da prova de ingresso de Filosofia aos elencos de provas de ingresso actualmente fixados;

b) Reestruturação dos elencos de provas de ingresso, de forma a passarem a incluir a prova de ingresso de Filosofia, que obrigue à substituição de provas de ingresso actualmente em vigor.

3 — As propostas apresentadas nos termos da alínea a) do n.º 2 do presente artigo, relativamente a pares estabelecimento/curso que já tenham fixado o número máximo de três elencos alternativos, nos termos do n.º 4 do artigo 20.º do Decreto -Lei n.º 296 -A/98, poderão conter um quarto elenco alternativo de provas de ingresso, devendo tal pretensão ser devidamente fundamentada pelo órgão legal e estatutariamente competente do establecimento de ensino superior com vista à aplicação da medida excepcional prevista no n.º 5 do artigo 20.º do citado decreto -lei.

4 — Ao abrigo do disposto no n.º 5 do artigo 20.º do Decreto -Lei n.º 296 -A/98, os cursos abrangidos pelo disposto no anexo II da Deliberação n.º 979/2011, de 7 de Abril, da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, não estão sujeitos às limitações previstas no n.º 4 do artigo 20.º do Decreto -Lei n.º 296 -A/98, sendo permitida a fixação de um máximo de seis elencos alternativos de provas de ingresso.

3.º Aplicação

1 — As propostas apresentadas nos termos do disposto na alínea a) do n.º 2 do artigo 2.º serão implementadas a partir da candidatura à matrícula e inscrição no ensino superior no ano lectivo de 2013 -2014;

2 — As propostas apresentadas nos termos do disposto na alínea b) do n.º 2 do artigo 2.º serão implementadas a partir da candidatura à matrícula e inscrição no ensino superior no ano lectivo de 2014 -2015, inclusive.

3 — Para efeitos de aplicação do disposto na presente Deliberação, a prova de ingresso de Filosofia passa a integrar as áreas II, III, IV, V e VI constantes do anexo I da Deliberação n.º 979/2011, de 7 de Abril, da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.
19 de Abril de 2011. — O Presidente da Comissão, Virgílio Meira
Soares.


ANEXO I
Código Prova de Ingresso
01 Alemão
02 Biologia e Geologia
03 Desenho
04 Economia
05 Espanhol
06 Filosofia
07 Física e Química
08 Francês
09 Geografia
10 Geometria Descritiva
11 História
12 História da Cultura e das Artes
13 Inglês
14 Latim
15 Literatura Portuguesa
16 Matemática
17 Matemática Aplicada às Ciências Sociais
18 Português
19 Matemática A

Diário da República, 2.ª série — N.º 84 — 2 de Maio de 2011


Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Workshop de Design de Produto

UM DOS NOMES MAIS IMPORTANTES DO DESIGN INTERNACIONAL NA UNIVERSIDADE CATÓLICA – BRAGA


“LET THERE BE LIGHT” – WORKSHOP DE DESIGN DE PRODUTO
ORIENTADO POR NICK HOLLAND
Director of Design Master - Royal College of Art
Faculdade de Filosofia Braga 03 de Junho de 2011 18H00-23H00

Apresentação do Workshop
O principal objectivo consiste em levar os participantes a experimentarem pessoalmente, de uma forma dinâmica e criativa, os vários passos e processos de pensamento necessários ao design de um produto viável.
A tarefa prática consistirá em conceber o design de um candeeiro de mesa e realizar um protótipo durante o workshop, com engenho, criatividade e sentido prático, capaz de transformar materiais simples num objecto dotado de outra dimensão e valor. Os componentes eléctricos e materiais para a estrutura do candeeiro serão fornecidos pela Universidade. Os processos de design envolvidos nesta tarefa incluem – planeamento, design, função, construção, sentido prático, sentido estético e sentido emocional.
O resultado será avaliado do ponto de vista do consumidor – este seria um produto que eu gostaria de ter em minha casa?

Destinatários
Docentes, alunos e profissionais do design e das artes da imagem, das belas-artes, da educação visual e tecnológica, profissionais que trabalham nas áreas das indústrias criativas e com a arte como mediação nos processos de ensino-aprendizagem e de animação cultural.

Inscrições
Número de participantes: 35 – por ordem de inscrição
Custo: 25 euros (incluído o Certificado de Presença)
Horário do Workshop: das 18H00 às 23H00.
Inscrições na Faculdade de Filosofia da UCP – Telf. 253 208 075 (das 9H00 às 13H00; das 14H30 às 18H30) – Email: Artur Alves: arturalves@braga.ucp.pt
Organização: Faculdade de Filosofia da Universidade Católica – Mestrado em Ensino de Artes Visuais – Programa: “Os Estados da Arte. Workshops em Educação pela Arte”
Os participantes deverão trazer para o Workshop os seguintes materiais: Lápis, Régua, Tesoura, X-acto, Alicate de pontas ou de corte (o restante material será fornecido pela Universidade).
Mais informação no endereço: http://www.eacfacfil.net/

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Wikiciências em português

Informação recebida da Casa das Ciências, projecto da Fundação Gulbenkian para o ensino das ciências, sobre o início do Wikiciências:

A internet é hoje um recurso de uso universal. É ali que todos procuramos a resposta às nossas questões, seja a simples hora do filme que tencionamos ir ver seja a última experiência em curso no CERN. Todas as revistas científicas estão hoje disponíveis, embora o acesso dependa do pagamento de uma assinatura. Está em curso um grande esforço para digitalização de livros mas o futuro é ainda incerto e a maioria dos livros recentes só pode ser acedida em papel. A realidade é que os estudantes fazem hoje um uso muito amplo da internet para o acompanhamento do seu estudo mas as têm muito poucas fontes de confiança em português. Para o ensino básico e secundário, esta é uma carência que foi identificada como muito relevante e a que a Casa das Ciências está a dar uma resposta.
Num estudo prévio, foram identificados os termos básicos presentes nos programas das disciplinas científicas e este constitui o acervo inicial que a Casa das Ciências se propõe reunir. Na fase inicial, a Casa das Ciências convidou cientistas reconhecidos a participar neste projecto como editores sectoriais. Todas as entradas ficam permanentemente registadas e disponíveis para consulta mesmo depois de substituídas. A identidade dos autores e dos editores será pública e servirá de primeiro garante da qualidade da entrada. Uma vez aprovada, fica livremente disponível e exposta à crítica havendo uma hierarquia de editores que lidarão com todas as sugestões de melhoria que sejam apresentadas.
Tendo como Editor-Chefe o Professor José Ferreira Gomes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e como Comissão Editorial a mesma da Casa das Ciências, o Corpo editorial tem 2 Editores de Geologia, 3 de Matemática, 2 de Física, 2 de Geologia, 3 de Química, 3 de Biologia e 2 de Ciências dos computadores.
Dispõe nesta primeira fase de cerca de 650 entradas das quais 250 já se encontram “abertas” para toda a gente. Todas as outras estão em fase de avaliação para poderem ser editadas e publicadas dentro dos prazos habituais nestas circunstâncias.
Estima-se que até ao fim do ano estejam disponíveis para leitura universal cerca de 1000 entradas que, segundo os estudos prévios que foram efectuados, correspondem a uma dimensão aceitável para o universo de conceitos essenciais que são utilizados nos níveis de ensino a que a WikiCiências prioritariamente se destina.

Fonte: http://dererummundi.blogspot.com/2011/05/wikiciencias-em-portugues.html

Recursos Educativos Abertos em Filosofia

Páginas de Filosofia: Recursos Educativos Abertos em Filosofia: "Existem Recursos Educativos Abertos em Filosofia? Na verdade, existem poucas fontes exclusivamente dedicadas à Filosofia. Grande parte d..."

A cama e as cruzes

O que é que as religiões têm contra o sexo?

A maioria das religiões procura controlar e impor ao prazer carnal severas restrições, a fim de preservar o poder sobre os fiéis. A excepção vem de algumas correntes místicas que, longe de estigmatizá-lo, consideram o sexo uma expressão divina. A sexóloga Valérie Tasso investiga como evoluiu a complexa relação entre a alma piedosa e o corpo dos outros.
Dois grandes entusiasmos acompanham-nos ao longo da nossa condição de seres humanos: o religioso e o erótico. O termo “entusiasmo” provém do grego clássico e significa algo como “inspiração divina”, pois contém na sua formação a expressão entheos, “ter Deus dentro”, isto é, comungar. Entusiastas são as palavras do profeta ou do visionário, ou ainda, na antiga Grécia homérica, as do poeta: aquele que dizia a verdade porque esta lhe era abertamente revelada pelas divinas musas.
Quando alguém sente fervor (o sangue a ferver, segundo a etimologia latina, ou um ardor, segundo a castiça), todo o seu ser é invadido por uma avidez (líbido) incontrolável relativamente ao elemento que o provoca; esse fervor é directamente ditado pelo Ser superior. Assim, sexo e religião seriam uma mesma manifestação, embora tenham sido, desde tempos antigos, confrontados e raramente considerados complementares. Porquê?
A religião não deve ser confundida com o sentimento religioso nem com a instituição religiosa. O sentimento religioso consiste em religar-se (daí o termo “religião”) com o absoluto, com o que não possui nome nem forma mas justifica ou dá sentido a uma existência (de outro modo) absurda aos olhos da razão. Por sua vez, a religião é o conjunto de doutrinas específicas que se baseiam nesse sentimento religioso inato; conta com um número de adeptos ou de iniciados nos seus mistérios sapienciais, os quais fazem da fé (a origem do fervor) a sua justificação. Quanto às instituições religiosas, são os organismos administrativos ou de gestão do conjunto de dogmas, liturgias e crenças que constituem as religiões.

Igrejas e sentimentos

A função da religião e, por conseguinte, dos seus administradores não é tanto (não nos enganemos) facilitar o acesso ao sagrado, mas regular moralmente a convivência entre os mortais à luz da (alegada) única verdade. Fá-lo através da aniquilação do pensamento crítico e da submissão da liberdade individual ao que chamamos “o bem comum” (ou “palavra do Senhor”). Na nossa tradição cultural, para alcançar esse objectivo e conseguir que fiquemos quietinhos, dóceis e sem incomodar a autoridade ou o vizinho, foi preciso tranformar o entusiasmo sexual (tão caótico e subversivo) no inimigo público número um. O desejo religioso era tido como divino; o erótico, demoníaco; e assim continuam a ser considerados, embora ambas as inclinações já tenham partilhado meios e fins em algumas manifestações, como, por exemplo, a orgia.
A orgia (a palavra possui a mesma raiz indo-europeia de “orgasmo” e “organigrama”, ou seja, o prefixo “org-”, relativo a trabalho) era o apogeu do culto divino em honra de Dionísio, deus do vinho e do êxtase. Na orgia, todos os fiéis, qualquer que fosse a sua condição, se entregavam carnalmente uns aos outros, para conseguir que a divindade entrasse no seu espírito através de um transe erótico. Os participantes na cerimónia religiosa amavam-se, beijavam-se, acariciavam-se e procuravam a visão mística de Dionísio através do chamado “paroxismo histérico” (recorde-se que o orgasmo foi definido pela medicina clínica do século XIX como uma manifestação patológica da mulher histérica).
Através do sexo, os fiéis comungavam (entendiam, participavam e possuíam) com a figura do deus, e o importante era que todos o conseguissem. A orgia era prova da supremacia do amor e da entrega pessoal em prol da colectividade e da confraternização, isto é, fazia do gozo individual o prazer da irmandade. Oposta ao individualismo, mas não ao indivíduo, a diferença da orgia em relação ao sexo “institucional” era que, para os devotos de Dionísio, o conhecimento divino e do amor entre semelhantes se produzia através de um arrebatamento que decorria de forma vital, caó­tica e natural, e não através da mortificação, da ordem, da culpa e da negação da vida.
As normas morais de carácter religioso e as normas políticas que a urbe impunha aos cidadãos não existiam nas orgias, e o êxtase (a visão de Deus) não chegava pela via da privação hipossexual da vida, mas por uma afirmação hipersexual dessa mesma existência.

Cinco está bem, seis é demais

Algo de semelhante acontece noutras orientações religiosas distantes da nossa, como o tantrismo hindu (no ramo ou via da “mão esquerda”) ou o budismo vajrayana (tibetano ou lamaísta). No primeiro, o sexo e o estado visionário que procura alcançar constituem uma via para entender a força que gera e sustenta o universo: a Sakti que emana da união entre a divindade feminina, Devi, e a masculina, Siva. No budismo vajrayana, cuja doutrina utiliza aspectos do tantra com uma orientação mais puritana, o sexo constitui uma ascese (exercício) para controlar e submeter aquilo que nos torna infelizes: o desejo. Segundo o taoísmo mais esotérico e encantatório, o sexo deve ser utilizado para obter a energia feminina e não desperdiçar a masculina, através daquilo que os latinos denominavam coitus reservatus, a fim de alcançar a imortalidade espiritual e física.
Em 186 a.C., o Senado romano proibiu oficialmente a celebração das bacanais, como eram conhecidos os rituais orgiásticos gregos em honra de Baco (denominação romana para o Dionísio grego). A proibição baseava-se mais em questões políticas (subversão do Estado) do que de ordem moral. Em consequência, numerosos praticantes foram executados, assistiu-se a uma destruição sistemática dos locais de culto e as práticas orgiásticas foram regulamentadas: só eram permitidas ocasionalmente, mediante uma autorização especial do Senado e com um máximo de cinco pessoas. A decisão acabou com o sentimento religioso dos devotos de Dionísio. Era o princípio da ordem imperial e da pax romana. O sexo (“fonte de ferida”, segundo Plutarco) começava a ser mais temido do que as hordas bárbaras.

Menos entusiasmo, por favor!

Quando uma religião define o sexo, está, na realidade, a definir-se a si própria. Assim, se afirmar que a sexualidade é impura, pecaminosa e algo que se deve evitar a todo o custo, o que está verdadeiramente a dizer-nos é que nos encontramos perante uma religião de ascetismo, de mortificação e de culpa. Além disso, não devemos esquecer outro aspecto significativo das religiões e das suas instituições: conquistar o poder e controlar o entusiasmo sexual é dominar por completo o ser humano.
No âmbito do cristianismo (em especial, do catolicismo), a condenação do sexo e do processo de sexualização que nos permite tornarmo-nos seres sexuados, assim como a negação obstinada da interacção erótica, marcam a gestão e compreensão do factor sexual humano. É o princípio de definição por excelência: o sexo é o maior inimigo da virtude religiosa. Neste ponto, o cristianismo coincide e surge irmanado com as outras religiões do Livro (todas monoteístas, com um Deus individualizado que não partilha a sua existência nem qualquer vivência conjugal), em especial com o judaísmo, pois o Islão é menos escrupuloso e rígido em relação à castidade.
Assim, assumido o facto de que existem gentios que não foram favorecidos com a sublime graça do celibato, o sexo fica reduzido (e concretiza-se), para os três monoteísmos, a dois pontos primordiais: a função reprodutiva e a sua prática exclusiva numa união consagrada pela instituição religiosa.
Quanto ao primeiro ponto (o sexo é apenas legitimado pela procriação), o cristianismo é uma religião exotérica, isto é, não reserva as suas doutrinas aos iniciados (a exemplo das religiões esotéricas), mas estende-as a toda a humanidade, pois necessita do maior número possível de adeptos. É por isso que faz do proselitismo o seu mecanismo de divulgação; necessita de fiéis nascidos no seio da Igreja e educados nas suas doutrinas para poderem preservar e propalar a mensagem. Claro que quantos mais houver melhor, de acordo com a proclamação ecológica de “povoai a terra e submetei-a”.
O dogma não constitui um assunto menor para eles, como se vê pelo facto de até sistemas contraceptivos como o preservativo (que converte quem o usa em onanista) serem proibidos, mesmo que sirvam para evitar o contágio de doenças e a morte de seres humanos. Por outro lado, o que dizer das práticas eróticas ou de interacções de carácter não-reprodutivo, como a masturbação, a sodomia, o voyeurismo, o sexo oral, a homossexualidade? Merecem, para o cristianismo, a mais absoluta condenação teológica e civil: a morte para Onã, fogo e enxofre para os habitantes de Sodoma.

Só para casados

Quanto ao segundo princípio (o sexo apenas se destina à procriação, numa união matrimonial sancionada pela instituição), remonta aos tempos do apóstolo São Paulo e à sua célebre apologia do casamento: se um homem e uma mulher não forem capazes de dominar os seus impulsos, “que se casem, pois é melhor casar-se do que arder”. Isto é, o matrimónio é visto como um mal menor e uma solução de cumprimento obrigatório para evitar a deserção em massa. Todavia, qual será a verdadeira finalidade social de semelhante premissa?
Resposta: preservar a organização da sociedade em redor da família nuclear, que provém da união heterossexual. A chamada “família tradicional” demonstrou ser uma estrutura social sólida e útil para conseguir transmitir os valores “que devem ser transmitidos”. Por isso, o sexo, para o cristianismo, não se restringe ao amor (por mais que pretendam, por vezes, atribuir-lhe esse disfarce), mas ao amor consagrado pela união sacramental do matrimónio; ou seja, aquele que obtém autorização do poder para se transformar em amor.
A pena pelo incumprimento do preceito, ou por desestabilizar a união abençoada através do adultério, é tão severa como a aplicada no caso das práticas improdutivas, mas há uma característica importante. Aqui, a culpa do pecado pertence sempre à mulher.
E não houve movimentos cristãos que conseguissem ultrapassar estes preceitos e tentassem conjugar a avidez sexual e a religiosa? Entre os gnósticos que deram origem ao cristianismo, marcado pelo acentuado dua­lis­mo entre os conceitos de alma e de mundo, encontramos duas correntes: a que via a Terra e a vida terrestre como um inferno do qual se deviam abster de participar (os ascetas), e outra constituída pelos libertinos hedonistas, que consideravam que, por possuir a gnose (o conhecimento de Deus), a alma não podia ficar manchada por manifestações de vida, pelo que o sexo e a consequente expressão de prazer constituíam uma via de agradecimento proporcionada pelo absoluto. A luta ideológica pela configuração final do cristianismo saldou-se a favor dos primeiros, que se revelaram implacáveis com os segundos, mas o debate continuou em aberto (e, de facto, ainda não terminou). As maiores heresias da cristandade fundamentavam-se nessa noção do sexo como uma bênção, como um caminho para o conhecimento e para agradecer a condição de escolhidos.

De puritanos a libertinos

A comunidade cristã ortodoxa dos chlystes, cujo nome provinha da palavra russa chlyst (flagelo), era conhecida pela severidade com que os seus membros se castigavam por qualquer acesso de luxúria carnal e pelas práticas radicais de mortificação. Um dia, sem qualquer motivo aparente, o grupo mudou de orientação, mas não de fé, e transformou-se num colectivo de libertinos cristãos que se entregavam às orgias, se exibiam nus e consideravam o casamento como o maior dos pecados, pois privatizava o principal bem religioso que possuíam, o sexo.
Fanáticos, mais do que sensatos, os grupos eram supostamente constituídos para as celebrações orgiásticas por escolha divina, através de uma cerimónia prévia que designavam por “o ritual do amor de Cristo” e que misturava idades, géneros e parentescos. Infelizmente, parece que nunca abandonaram o látego, e o sangue e o masoquismo descontrolado também desempenhavam um papel nessas orgias. Em finais do século XVIII, os chlystes foram julgados e condenados pelas autoridades eclesiásticas de Moscovo e nunca mais se ouviu falar deles.
Outro grupo heterodoxo foi a Irmandade do Espírito Livre, um movimento comunitário cristão que surgiu no século XIII e sobreviveu durante quase 400 anos. Entre outros princípios, consideravam que Deus era tudo e estava em tudo (sexo incluído); portanto, nada podia conter pecado, pois isso teria significado que Ele continha o mal. Baseavam-se na imolação de Jesus: se Deus Pai enviou o filho para tirar o pecado do mundo, por que continuamos a pensar que as nossas acções podem ser pecaminosas?
Com base nessas premissas, rejeitavam os sacramentos, que consideravam inúteis; ao acreditar que o pecado não existe, achavam que o inferno era um estado anímico de culpa permanente proveniente da ignorância de não nos sentirmos absolvidos por Deus. Proclamavam ainda que o prazer carnal é uma manifestação de gratidão à divindade, e o sexo o meio de manifestá-la. Foi devido a essas teses e por pô-las em prática que foram aniquilados.
A lista de heterodoxias sensualistas cristãs incluiu, também, os goliardos (sacerdotes licenciosos e poetas satíricos), os nicolaítas (anti-casamento), os promíscuos adamitas e os seus seguidores, os begardos... O mais importante, porém, não é tanto o seu número como o empenho em viver na graça de Cristo sem ter, por isso, de renegar a sua condição de seres humanos.

Arrebatamento místico e exaltação sexual

Por “misticismo”, entende-se um estado elevado de comunicação com o absoluto. O místico é o indivíduo visionário (homem ou mulher) que alcança aquilo que Nicolau de Cusa chamou “a visão de Deus”. Habitualmente oposto à ortodoxia oficial das instituições religiosas (pois o místico vê sem necessidade de intermediários institucionais e a sua prioridade é ver, e não obedecer), o misticismo está presente em quase todas as religiões. Depois, a ortodoxia costuma reclamar para si o resultado do que o visionário experimenta.
O místico também tenta explicar o que vê, uma experiência que, pela sua natureza, se reclama inefável. E é aí que, curiosamente, as suas palavras hesitantes convergem com a descrição do clímax erótico. É difícil distinguir, em alguns versos ou relatos, se nos está a falar de Deus ou do orgasmo, ou mesmo se o próprio autor consegue estabelecer a distinção. “Sente-se um enorme deleite no corpo e grande satisfação na alma”, escreveu, em O Caminho da Perfeição, Santa Teresa de Jesus, que chega a tomar directamente o Senhor por marido: “É possível a alma enamorada pelo seu Esposo passar por todos esses prazeres e desmaios e mortes e aflições e deleites e gozos com Ele...”, relatou nas suas Meditações, inspiradas no Cântico dos Cânticos, livro erótico por excelência da Bíblia.
Este estado de ambiguidade sensorial e intelectual foi muito bem retratado por Gian Lorenzo Bernini (1598–1680) na sua obra-prima escultórica O Êxtase de Santa Teresa. Basta ver a expressão de prazer da mulher e os elementos simbólicos, como a flecha do anjo, para perceber que essas coisas não passaram despercebidas ao artista barroco. Não devemos esquecer-nos, também, da mão suave de toque delicado (“que a vida eterna sabe...”) que se pousa sobre S. João da Cruz de cada vez que ele atinge o êxtase místico. Em suma, a mística constitui um tipo de literatura erótica que conjuga, pelo contexto em que é criada, ambas as aspirações da condição humana: a sexual e a religiosa.

Tratados espirituais para alcançar o êxtase

Entre os livros eróticos considerados sagrados ou que não foram, pelo menos, proscritos nem queimados na fogueira inquisitorial, destaca-se o Kama Sutra (“Ensinamentos sobre o Prazer Sexual”) hindu. O título completo é Vatsyayana Kama Sutra, pois inclui o nome do seu autor, o religioso indiano Vatsyayana, que teria vivido no período gupta dos vedas, por volta do século V, embora também haja quem o situe no século I. Talvez este tratado erótico seja um dos livros mais mencionados e menos lidos da história, pelo que convém referir desde já que não se trata de um manual de posições. Das sete partes em que está dividido, apenas uma, a segunda, fala em posições para o coito, com prioridade para os beijos, as carícias, o sexo oral, pelo que o seu objectivo está muito mais próximo da Ars Amandi, de Ovídio, do que da ginástica rítmica.
Por sua vez, o Koka Shastra (“A Doutrina do Amor”) foi composto, no século XII, pelo poeta Kokkoca, que alguns estudiosos associam à concepção tântrica do hinduísmo. Numa linha semelhante, mas com maior conteúdo prático do que ritual (o objectivo é que o marido mantenha a esposa satisfeita para evitar a dissolução do casamento), surgiu, entre os séculos XV e XVI, o Ananga Ranga (“Um Barco no Oceano do Amor”), escrito pelo poeta indiano Kalyana Malla.
Na tradição islâmica, destaca-se o Al-Rawd al-’Âtir fî Nuzhat al-Khâtir, cuja tradução (mais ou menos literal) seria “Excursão dos Sentidos no Jardim Perfumado”, embora costume surgir abreviado como “O Jardim Perfumado”. Escrito pelo xeque Nefzawi (Abu Abdullah Muhammad ben Umar Nafzawi), possivelmente no século XV, trata-se de um refinado compêndio sobre a sexualidade humana no contexto da cultura muçulmana.
Na tradição judaico-cristã, é difícil encontrar obras semelhantes (devemos o que sabemos sobre erotismo a livros confessionais onde se recolhiam os “pecados da carne”), mas existe uma obra inserida no Antigo Testamento da Bíblia, que é o Cântico dos Cânticos. Começa assim: “Que me beije com os beijos da sua boca!”

SUPER 156 - Abril 2011

Génios loucos

Criativos, sensíveis, estranhos

A história está cheia de mentes geniais capazes de criar obras sublimes e, ao mesmo tempo, cair na loucura e nas piores perversões, no roubo ou mesmo no homicídio.
A galeria Tate Britain de Londres expõe, entre outras jóias artísticas, um pequeno quadro intitulado O Golpe de Mestre do Lenhador-Duende. O autor, o pintor Richard Dadd, fez uma viagem ao Egipto, em 1842, durante a qual sofreu uma trágica mudança de personalidade, provavelmente causada pelo consumo de ópio e de outras drogas. No regresso, já não voltaria a ser ele próprio: o seu carácter tornara-se azedo e mostrava-se paranóico e agressivo.
De volta a Inglaterra, Dadd assegurava que o deus egípcio Osíris o incumbira de uma dolorosa missão, cujos detalhes não revelava. A conselho de um médico, o pintor resolveu passar um período a descansar na casa de campo da família, no Kent. Uma tarde, enquanto passeava por um bosque nas redondezas, Dadd desferiu uma machadada no pai e, depois, desmembrou o corpo. O parricida foi detido passados alguns dias, em França, quando se preparava para degolar um homem. Entre os seus pertences, a Polícia encontrou um caderno onde escrevera uma longa lista de nomes de pessoas, entre as quais se contava o papa, que devia assassinar por ordem de Osíris.
Aos 27 anos, Dadd foi encerrado num hospício, onde dedicou quase uma década à referida tela, que mostra um grupo de fadas, elfos e duendes a observar um lenhador que se prepara para dar uma machadada. A seus pés, não há lenha, apenas terra. Dadd morreu no hospital psiquiátrico de Broadmoor, em 1886.

Quebrar o gelo

No começo do século XX, numa das suas inúmeras bebedeiras, Maurice Utrillo pegou fogo ao hotel de Montmartre onde se alojava. Na rua, no meio dos bombeiros e polícias, a multidão apontava para o telhado do hotel, onde se perfilava a figura do pintor francês. Os habitantes do bairro tinham-no reconhecido e gritavam “É o louco!”, “Detenham o louco!”.
Em 1905, o dramaturgo Alfred Jarry, autor de Rei Ubu e criador da escola patafísica, sentou-se num café parisiense ao lado de uma senhora e, por alguma razão, resolveu embirrar com um cliente que se encontrava junto desta. Ergueu-se, tirou uma pistola do coldre e disparou contra um espelho, provocando pânico no café e a fuga precipitado do fulano que o punha nervoso. Já calmo, voltou-se para a aterrorizada dama e disse-lhe: “Agora que quebrámos o gelo, conversemos.” O seu gosto por puxar o gatilho causou-lhe vários problemas, mas nunca feriu ninguém.

Extravagantes e criminosos

Muitos artistas foram extravagantes, associais ou neuróticos, assim como obcecados sexuais (Giacomo Puccini), com tendência para a pedofilia (o pintor Balthus), escatológicos ou infantis e malcriados (Amadeus Mozart). Outros tinham graves perturbações mentais, como o poeta surrealista Antonin Artaud, natural de Marselha, que sofria de doença bipolar. Por sua vez, o pintor surrealista Salvador Dalí, criador do “método paranóico-crítico”, foi considerado como um génio ególatra e enlouquecido.
Michael Fitzgerald, psiquiatra irlandês do Trinity College Dublin, assegura que muitos génios foram vítimas de alguma forma de autismo. Será que isso significa que o talento criativo está relacionado com a loucura? A maioria dos psiquiatras rejeita semelhante associação. Os grandes artistas podem ser tão normais ou tão perversos como qualquer outra pessoa.
Músicos, pintores ou escritores são criativos e hiper-sensíveis, mas podem também ser assassinos, ladrões ou seres pervertidos. Tal como os restantes mortais, exibem as diversas variantes da condição humana, como poderá apreciar nas páginas que se seguem.

Sid Vicious: décibeis de sangue

John Simon Ritchie nasceu em Londres, em 1957, e foi criado pela mãe, toxicodependente, depois de o pai os ter abandonado. Na adolescência, fez parte de bandas de rua e andou a vender droga. Uma vez, quando assistia a um concerto, feriu uma espectadora e esteve preso uma semana. Depois, juntou-se ao movimento punk e conheceu o vocalista dos Sex Pistols, Johnny Rotten, que lhe deu o nome de Sid Vicious. Foi com esse pseudónimo que se juntou ao grupo como baixista, em 1977.

Viciado em heroína, Sid deixou a banda em 1978 e instalou-se no Hotel Chelsea de Nova Iorque com a namorada, a groupie Nancy Spungen. No dia 12 de Outubro, ela foi encontrada morta no quarto que partilhavam, apunhalada e banhada em sangue. No chão, havia seringas e uma faca. Sid, aturdido com a droga, foi acusado de assassínio e libertado sob fiança. Enquanto aguardava o julgamento, morreu de overdose aos 21 anos.

Cervantes: brigas e prisão

O pai de Cervantes era um médico que passou por grandes dificuldades para conseguir sustentar a numerosa prole. Na juventude, Cervantes foi para Madrid, onde decidiu dedicar-se às letras, mas meteu-se numa briga e feriu um tal Antonio de Sigura, segundo filho de um membro da alta nobreza espanhola. Foi condenado à mutilação da mão direita e a dez anos de desterro, mas fugiu para Itália e refugiou-se na milícia. O jovem escritor combateu em Lepanto, onde perdeu a mobilidade da mão esquerda, e esteve cinco anos preso em Argel. De regresso a Espanha, foi parar à cadeia, acusado de vender parte do trigo destinado à Armada. Diz-se, também, que foi proxeneta das irmãs.

Caravaggio: um pintor em fuga

A vida de Michelangelo Merisi da Caravaggio foi recheada de tumultos, sexo, violência e fugas precipitadas. Nasceu em 1571, no seio de uma modesta família milanesa, e chegou a Roma aos 21 anos na mais absoluta miséria. Ali, trabalhou como retratista para subsistir, antes de entrar ao serviço do cardeal Del Monte, próximo dos Médicis. Na cidade, aperfeiçoou a técnica do claro-escuro... e a dos escândalos.
Dizia-se que roubara o cadáver de uma mulher para servir de modelo da Virgem. Era alcoólico, frequentava os bas-fonds e passou várias vezes pela prisão. O jogo, a noite e a prostituição feminina e masculina fascinavam-no. Em 1606, aos 35 anos, matou um tal Tomassoni num duelo por causa de uma dívida de jogo. Foi condenado à morte, mas conseguiu fugir para Malta. Ali, foi acolhido pelos cavaleiros da Ordem de Malta graças ao seu talento artístico. Passados dois anos, fugiu novamente, após seduzir a filha de um dignatário, e foi expulso da Ordem por ser “putrefacto e fétido”. Esteve na Sicília e em Nápoles, seguindo depois para Roma a fim de obter o perdão do papa, mas morreu em circunstâncias estranhas e o seu corpo nunca foi encontrado. Corria o ano de 1610.

Jean Genet: a vida nas margens

Nascido em Paris, em 1910, de uma mãe prostituta e pai desconhecido, Jean Genet foi entregue à assistência pública, que lhe deu um uniforme, um par de tamancos de madeira e um número de registo. Deixou o orfanato para ser acolhido por um casal que cobrava 21 francos por mês para mantê-lo, e cometeu o primeiro roubo aos dez anos. Aos 15, foi enviado para um centro de menores perto de Tours, onde permaneceu três anos. Foi ali que descobriu a sua homossexualidade.
Aos 18 anos, alistou-se na Legião Estrangeira e foi enviado para o Norte de África. Depois, deixou a milícia e prostituiu-se até conseguir voltar a Paris. Preso por roubar e falsificar documentos, foi na cela que escreveu Diário de um Ladrão. Jean Cocteau reparou no seu talento e arranjou-lhe editor, mas Genet continuou a roubar livros nas bibliotecas para vender na rua. Detiveram-no novamente e esteve à beira de ser condenado à prisão perpétua, mas Cocteau intercedeu e a pena foi reduzida a alguns meses. Depois, conheceu o êxito literário, participou nos movimentos de Maio de 1968, apoiou diversas causas revolucionárias e instalou-se em Larache (Marrocos).

Chatterton: mentir para triunfar

Nos seus escassos 18 anos de vida, Thomas Chatterton (1752–1770) conseguiu transformar-se num ícone da poesia pré-romântica e... num grande impostor. Natural de Bristol e órfão de pai, foi internado num colégio aos seis anos. Lia febrilmente e, aos onze, compôs os seus primeiros poemas. Inspirando-se em antigos pergaminhos, escreveu a écloga Eleonore e Juga, na qual imitava uma linguagem medieval que fez passar como sendo do monge Thomas Rowley. Ao ver que a coisa pegava, continuou a criar falsificações e a vendê-las por alguns xelins. Inventou autores e escreveu obras que provinham, supostamente, de um cofre encontrado numa igreja. Quando se descobriu a fraude, fugiu para Londres e começou a assinar com o seu nome. Chegou a publicar mas, depois, suicidou-se com arsénico.

William Burroughs: rápido no gatilho

Além de ser um dos escritores mais influentes da geração beat, William Burroughs (1914–1997) foi um grande adepto das armas e um tenaz dependente de heroína. Em 1951, perseguido pela polícia norte-americana, emigrou com a família para o México. Numa noite de embriaguez, colocou uma maçã na cabeça da mulher, Joan Vollmer, e disparou o seu Colt 45. Embora se orgulhasse da pontaria, falhou e matou-a. Acusado de homicídio voluntário, passou alguns dias na cadeia, mas conseguiu sair com o auxílio da sua família abastada, proprietária da companhia de calculadoras Burroughs Adding Machines. Refugiado em Tânger, bissexual e consumidor de drogas compulsivo, escreveu livros fascinantes como Junkie ou Naked Lunch (Festim Nu), baseados na sua experiência.

Arthur Rimbaud: mudado a tiro

Em 1880, Arthur Rimbaud tinha 26 anos e vivia na Etiópia, onde se dedicava ao tráfico de seda, ouro, plumas e armas. “Importamos espingardas”, escreveu à família. Uma existência oposta à vida com que sonhara quando trocou a sua Charleville natal por Paris, aos 17 anos, para se transformar num poeta boémio. Em 1871, o belo adolescente deslumbrou com os seus versos Paul Verlaine, o qual abandonou a mulher e o filho por ele. Os dois poetas amaram-se e embriagaram-se de absinto e haxixe. Durante uma cena de ciúmes, Verlaine deu um tiro no efebo e foi condenado a dois anos de prisão. Depois de criar, em três anos, uma das obras ímpares da literatura, Rimbaud fugiu e trocou a boémia pelos negócios, mas não encontrou paz em África. Sozinho e doente com cancro, regressou a Marselha para morrer.

Marquês de Sade: castigado pela sua libertinagem

Donatien Alphonse François, marquês de Sade, nasceu em Paris no seio de uma família da aristocracia provençal, em 1740. Na sua vida acidentada, foi preso por ordem da Monarquia, da República e do Império, e passou 27 anos encerrado em diversas cadeias e manicómios. Quais foram os seus crimes? Um comportamento com tendência para os excessos, caracterizado por uma sexualidade agressiva, além dos textos que escreveu, considerados demasiado violentos e eróticos. O pai, numa tentativa para o endireitar, casou-o aos 23 anos com a herdeira de uma família nobre e abastada. A mulher sustentou-o economicamente, apesar dos escândalos que ele protagonizou. Acusado de rapto, violência sexual e actos de barbárie contra três jovens que o denunciaram, Sade passou a juventude em fuga.
Aos 37 anos, foi enviado para a cadeia. Durante os treze que passou por detrás das grades nas prisões de Vincennes e da Bastilha, escreveu Os 120 Dias de Sodoma. Libertado em 1790, o “Divino Marquês” sobreviveu à custa da publicação de obras clandestinas escandalosas, como Justine. Durante a Revolução francesa, tomou posição contra a pena capital e a guilhotina. Em 1800, publicou Zoloé e as Suas Duas Amantes, obra que exaltou os ânimos e lhe valeu a condenação dos revolucionários. Sade foi encarcerado no hospício de Charenton, onde morreu em 1814, aos 74 anos.
Muitas histórias foram inventadas, e outras exageradas, sobre o nobre cujo apelido deu origem à palavra “sádico”. A verdade é que falou de sexo sem pudor, um pecado grave no século XVIII, e parte dos seus manuscritos foi destruída pela própria família.

SUPER 156 - Abril 2011

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

O regresso a um velho tema: a empregabilidade em Filosofia



"A revista Pública (do Jornal Público) do passado dia 8 de Maio do presente ano, traz como tema de capa um interessante artigo que tem por t..."

(clique no link e leia o artigo completo)

Relações Precoces